Cena Spin-off de “Cores de Vida e de Morte”

ATENÇÃO!

O texto a seguir contém spoilers. Se você ainda não leu o Volume 1 da trilogia “As cores de Sophia” não prossiga.

Leia o livro primeiro! 😉

Pedro

Não sei por que deixo a Sophia me convencer a fazer essas loucuras. Tem algo de diferente com ela. Desde a faculdade, me deixa atônito quando me olha nos olhos e parece estar lendo os segredos mais profundos da minha alma – aqueles que nem mesmo eu conheço. Ou quando descobre os diagnósticos mais absurdos, como se estivessem estampados na testa dos pacientes, com algum tipo de tinta que somente ela é capaz de enxergar. Já desisti de tentar entender as partidas de truco.

Depois, me vem com essa história de mortes erradas, assassinatos, tráfico de órgãos… Se minha mãe soubesse que eu a ajudei a invadir a sala administrativa do Memorial, acho que ela mesma me prenderia. E agora estamos aqui, andando no meio do mato, contornando um galpão no meio do nada, cheio de criminosos. Por que eu continuo fazendo essas loucuras por ela? Bom, é isso que os amigos fazem, não é? Ela é a minha melhor amiga. E tenho certeza de que ela faria por mim também.

Finalmente alcançamos a parte de traz do galpão retangular. Todos desviamos dos entulhos espalhados no escuro até estarmos espremidos contra a parede, tentando não fazer barulho, nem mesmo com a nossa respiração. Luiz espia a lateral do prédio e faz sinal para avançarmos. Seguimos em fila, rentes às sombras, tentando permanecer invisíveis. Não racionalizo o que estamos fazendo: para mim está claro que se trata de suicídio. Porém, jamais deixaria Sophia fazer isso sozinha.

Quando alcançamos a frente do prédio, Bia aponta para uma sombra na parede e parte naquela direção sem nos dar a chance de responder. Sophia a segue, e percebo que a sombra se trata de uma porta. Engulo seco, arrumo meus óculos que escorregam sobre meu nariz suado e tento controlar o pânico. Entro pela abertura também.

As duas estão protegidas atrás de um enorme contêiner, e há outros espalhados pelo interior do galpão. Me junto a elas e sou acompanhado por Luiz e Felipe. Assim que a penumbra nos engole, uma das ambulâncias sai pelo portão automático e se perde na estradinha de terra que nos trouxe até aqui.

Bia tira fotos sem parar. Vejo as caixas térmicas, com os possíveis órgão contrabandeados, sendo divididas entre as duas ambulâncias que restaram. Bia mostra o visor da máquina para Sophia e ambas olham na direção do contêiner do lado oposto do galpão. Tenho a impressão de ver um vulto se escondendo lá, mas meus óculos não me ajudam a ver com nitidez a essa distância.

— O que estamos fazendo aqui? — Pergunto ansioso para Luiz.

Ele encolhe ombros:

— Acho que estamos esperando os policiais…

Sophia e Bia começam uma discussão muda, com gestos enfáticos. Felipe pega a máquina fotográfica das mãos de Bia:

— Eu vou, sou mais rápido. Consigo atravessar sem ser visto.

Sophia protesta, mas Felipe sai correndo de nosso esconderijo, tentando chegar ao próximo contêiner. Mal tenho tempo de entender o que está acontecendo, quando ela também dispara na direção de Felipe, sem nenhuma explicação.

Ouço o tiro.

Sophia cai imediatamente no chão e uma poça de sangue desabrocha sob ela. Sem perceber, também estou correndo na sua direção.

A alcanço no momento em que sons estridentes de sirenes invadem o galpão e se misturam a gritos, mas os ignoro. Só vejo Sophia, pálida, com o rosto suado, se afogando em seu próprio sangue, que mina por um pequeno orifício negro em seu abdômen. Fico paralisado, escutando o choro desesperado de Bia atrás de mim.

— Está tudo bem, — minha melhor amiga balbucia tentando sorrir — não está doendo.

Vejo a vida deixar o seu semblante quando ela perde a consciência. O mundo parece desmoronar ao meu redor, e eu simplesmente não consigo me mexer. Estou apavorado!

— Eles não estão cinzas! Eles não estão cinzas! — Uma voz conhecida me desperta.

Dr. Lucas se materializa ao nosso lado, me empurrando para conseguir chegar até o corpo de Sophia. Ele e Felipe trocam olhares desesperados.

— O pulso está fraco. — Felipe constata.

Dr. Lucas procura a pulsação com os dedos, de maneira segura e profissional. Em seguida, começa as compressões cardíacas:

— Ela está em parada. Rápido, faça as respirações!

Enquanto meu professor massageia o coração estático, Felipe faz as respirações boca-a boca. Eu continuo sem me mexer. Tenho a sensação de que vou desmaiar sobre toda a volemia de Sophia, que tinge de rubro o chão de cimento esburacado.

— Pedro! Pedro! — Luiz me sacode aflito. — Está me ouvindo?

— Sim, acho que sim.

— Olhe para mim. — Ele desvia meu rosto para seu olhar assustado. — A Sophia precisa de você, tá legal? Se concentre!

Concordo freneticamente, sentindo as lagrimas escorrerem e afogarem a minha visão.

— Ótimo. Agora ache alguma coisa para estancar o sangramento. Consegue fazer isso?

— O pulso voltou! — Dr. Lucas anuncia.

Me afasto de onde estão e tenho apenas uma vaga noção da polícia que invade o galpão, das armas em punho, das algemas, das prisões. Caminho pensando no que poderia usar para interromper um sangramento tão grande, quando me vejo parado em frente as portas abertas de uma das ambulâncias. Entro tropeçando nas caixas térmicas largadas ali. Abro a primeira gaveta que alcanço e encontro várias ampolas de medicação. Na próxima, material para intubação. Cilindro de oxigênio, frascos de soro fisiológico…

— Graças à Deus!

Pego um pacote de compressas e volto correndo para onde Sophia vive por um fio.

— As ambulâncias! — Grito e jogo o pacote para Felipe. — São UTIs móveis de verdade! E estão equipadas!

Vejo um lampejo de esperança no semblante de todos. Felipe faz um curativo compressivo da melhor maneira que consegue e os três carregam o corpo flácido e seco para dentro da ambulância.

Bia faz menção de ir com eles, mas entro em seu caminho. Apoio minhas mãos em seus ombros, que soluçam.

— Bia, é melhor você ir com o Thomas.

— Mas, eu não posso deixá-la… É a Sophia!

— Ela está em boas mãos. O Dr. Lucas é um grande médico. Nos encontre no Memorial.

Thomas finalmente aparece no meio da confusão que acontece ao nosso redor. Abraça Bia com cuidado e apreensão. Ela desmorona ao seu toque.

— Cuide dela, Pedro, por favor…

— Posso ajudar em algo? – Thomas oferece.

Penso por um instante.

— Pode. Precisamos do agente que seja o melhor piloto aqui presente.

Quando volto para dentro da ambulância, Sophia está intubada, recebendo litros de soro por um acesso profundo em seu pescoço, realizado de maneira magistral por Luiz. Perece estável, mas a mancha vermelha escura no curativo em seu abdômen não para de crescer.

O motor da ambulância é acionado. Nos sobressaltamos.

— Se segurem. — Moraes avisa antes de pisar fundo no acelerador e sair do galpão cantando pneu.

Em instantes estamos sendo sacudidos pela estradinha de terra, rumo à rodovia dos Imigrantes. A sirene já grita alto, fazendo meus ouvidos zunirem.

Felipe continua comprimindo o ferimento da melhor maneira que consegue.

— Alô, aqui é o Dr. Lucas Martinelli. Preciso falar com o chefe da cirurgia de emergência que está de plantão. É uma situação extremamente urgente…

Dr. Lucas continua falando ao telefone, preparando nossa chegada no Memorial. Troco olhares preocupados com Felipe.

— Ela vai ficar bem? — Pergunto.

— Tem que ficar.

Quando a ambulância alcança a Avenida do Bandeirantes, já de volta à São Paulo, o monitor cardíaco distara seu alarme estridente e uma linha reta aparece na tela.

— Outra parada cardíaca! — Constato e imediatamente me debruço sobre o peito de Sophia, reiniciando as compressões.

— Uma ampola de adrenalina. — Dr. Lucas assume o comando, como um maestro.

Luiz realiza a medicação, enquanto eu não diminuo o ritmo da massagem cardíaca.

— Ela precisa de mais volume. Mais um litro de soro… — ouço a voz do professor.

Minhas mãos começam a formigar, sinto o suor escorrendo pelo meu rosto. Olho desesperado para a tela do monitor, mas a linha se mantém estática.

— Deixa que eu faço agora. — Felipe assume o meu lugar.

Mais um ciclo de ressuscitação se reinicia. Conto os minutos aflito, sabendo que a cada segundo que se passa, sem a oxigenação adequada, as chances de sequelas neurológicas são imensas. Até mesmo, uma morte cerebral.

— Mais adrenalina!

Já se passaram nove minutos.

— Vamos lá, Sophia! Não faça isso comigo. — Felipe também está suado, com os braços trêmulos.

— Eu faço agora. — Lucas se posiciona e assume as compressões. Seu semblante é como uma máscara: profissional e inexpressivo. Mas eu sei o que aconteceu entre ele e Sophia. Sei que também está apavorado.

Onze minutos.

Já me sinto derrotado, e minhas esperanças começam a dissolver-se. Tudo ao meu redor fica nublado, e me sento em um canto da ambulância, deixando a cabeça cair sobre minhas mãos. Ouço o estalar das costelas cedendo à massagem e a respiração de Lucas, ofegante pelo esforço. Tiro os óculos e deixo as lágrimas escorrerem – não adianta mais. É muito tempo. Não vai sobrar mais nada da Sophia aí dentro. Nada mais de olhares profundos, diagnósticos mirabolantes, sorrisos amigos, abraços apertados. Nada mais de minha melhor amiga.

— Ela voltou!

Me levanto sobressaltado, ao som monótono do monitor cardíaco. A ambulância já está subindo na rampa de acesso da entrada de emergência do pronto-socorro do Memorial.

— Quanto tempo foi de parada? — pergunto.

— Quinze minutos. — Luiz responde.

As portas traseiras do carro se abrem e nos deparamos com toda a equipe de cirurgia nos esperando. Descemos a maca com o corpo imóvel de Sophia, que é rapidamente levada para dentro do hospital. Dr. Lucas permanece ao seu lado, e se mistura no meio dos cirurgiões. Em câmera lenta, assistimos todos se movimentando com urgência e se perdendo dentro do Memorial, enquanto as portas da entrada de emergência se fecham na nossa frente.

Eu, Luiz e Felipe permanecemos imóveis ao lado da ambulância, sujos de sangue, suados, cansados e assustados. Ainda olhamos para as portas fechadas.

— Quinze minutos é muito tempo. — Digo. — Vocês sabem disso, não?

Lançamento presencial do volume II, “Cores das Chamas e da Escuridão”, em 10/12/22, às 19h, na Livraria da Vila do Shopping Iguatemi Campinas.

O Volume I da trilogia “As Cores de Sophia – Cores de Vida e de Morte”, eleito o melhor suspense de 2021 pelo Prêmio Book Brasil, e o volume II, “Cores das Chamas e da Escuridão” já estão disponíveis no formato físico e digital. É só clicar no link e deixar o meu universo se misturar ao seu. Tenho certeza de que nunca mais enxergará a realidade da mesma maneira.

Leia mais: Cena Spin-off de “Cores de Vida e de Morte”

Aconteceu em agosto/22

O universo de Sophia

Em agosto aconteceu a revelação da tão esperada e solicitada capa e da sinopse do Volume II da trilogia “As cores de Sophia”, intitulado “Cores das Chamas e da Escuridão”.

Você viu?

Sinopse:

Sophia percebe que sua vida jamais será a mesma: sua mente intrigante desperta interesses perigosos. Ela procura, então, manter-se protegida pelo anonimato.

Enquanto tenta dominar as novas e poderosas habilidades nascidas das chamas, Bia inicia uma investigação arriscada à procura das pontas soltas não encontradas pela polícia.

Por mais que queira evitar, Sophia é obrigada a encarar o desafio da nova realidade que se abre aos seus olhos. Para isso terá que enfrentar as suas escolhas, o passado, e a escuridão que cresce dentro dela mesma – onde tem mais alguém querendo entrar.

Finalizada.

Em agosto foi finalizada a revisão final do miolo do livro. Isso nos coloca na reta final para o lançamento!

Ansiosos?

Entrevista

Fui entrevistado pelo Mauro Plastina, em seu canal do YouTube: Tellers escola de escrita. Foi um bate papo descontraído e divertido sobre escrita e meu processo criativo.

Perdeu?

Não tem problema, é só clicar em https://www.youtube.com/watch?v=n1PTS0XEbHY e conferir!

Fica a dica para conhecerem o canal, recheado de dicas para quem gosta de escrever.

Divulgação honrosa

“Cores de Vida e de Morte” teve a honra de ser divulgada pelo professor e pesquisador de Literatura Fantástica, Alexander Meireles da Silva, em seu canal Fanfasticurso.

O Prof. Alexander é um grande entusiasta sobre o gênero literário, e tem um currículo de peso:

Professor Associado de Literaturas de Língua Inglesa da Universidade Federal de Catalão (UFCat)

Doutor em Literatura Comparada (UFRJ)

Mestre em Literaturas de Língua Inglesa (UERJ)

Especialista em Educação a Distância (SENAC)

Criador de conteúdo do canal FANTASTICURSOS

Por isso, ouvi-lo dizendo: “Juliana Lino vem se revelando um dos grandes nomes do fantástico nacional.” é muito mais do que um elogio e me faz acreditar no potencial das minhas histórias!

Se você também gosta do universo fantástico, em todas as suas vertentes, não deixe de conhecer o Fantasticursos: o melhor canal do gênero da web.

https://www.youtube.com/c/Fantasticursos

Dicas de escrita que rolaram no Instagram

Leitura finalizada

“Nossa parte da noite” – Mariana Enriquez

Um livro incrível, com uma trama sobrenatural hipnotizante, ao mesmo tempo que retrata a ditadura na Argentina. A autora tem um incrível domínio de uma narrativa complexa: a estrutura é fragmentada, o tempo não é linear e há mais de um narrador.

O fantástico é introduzido como mágica. Mariana nos dá migalhas da revelação do mistério, puxando o leitor para tramas cada vez mais profundas, das quais é impossível sair sem ter todas as respostas. Fantástico e realidade se misturam de maneira definitiva.

Super recomendo a leitura!

Em outubro

Acontecerá o tão esperado lançamento de “Cores das Chamas e da Escuridão”, o segundo volume da trilogia “As cores de Sophia”!

Teremos eventos virtual e presencial!

Fiquem ligados! Acompanhem as novidades em tempo real pelo Instagram, para não perderem nada!

Você me acompanha nessa viagem fantástica?

https://livro.editoramadreperola.com/as-cores-de-sophia

Até a próxima News!

Com carinho

Juliana Lino

Aconteceu em julho/22

Evento

Em julho/22 aconteceu o relançamento de “Cores de vida e de Morte”, o primeiro volume da trilogia “As cores de Sophia”, agora pela editora Madrepérola.

https://www.instagram.com/p/Cfw_PD8D91x/

Tivemos uma live muito descontraída com o editor Rafael Silvaro, onde sorteamos um exemplar autografado entre as perguntas mais criativas realizadas ao vivo. A vencedora sortuda foi a Cris Veríssimo.

Perdeu? É só clicar no link para conferir!

https://www.instagram.com/p/CfxOC9cDrR6/

Em 9/7/22 aconteceu o relançamento oficial, na Bienal de SP!

O evento estava lotado, mas recebi os leitores com muito carinho no stand da ABERST, onde autografei os exemplares, troquei ideias, resisti a dar spoilers sobre a continuação e tiramos muitas fotos.

Dica: Você conhece a ARBEST (Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror)?

Se você é leitor ou escritor do gênero, fica a dica! São muitos talentos renuídos lá.

https://aberst.com.br/

Dicas de escrita que rolaram no Instagram https://www.instagram.com/juliana._lino/

Vamos exercitar a nossa criatividade?

Dicas para escolher um bom título

Vantagens da leitura coletiva

Data comemorativa

25/7 – Dia nacional do escritor.

Frase mais curtida do mês:

Meme vencedor:

Tivemos um empate técnico:

Leitura finalizada:

“O nome da Rosa” – Umberto Eco.

Opnião: uma aula de história sobre a Idade Média. Mostra como a ganância e o abuso de poder são atemporais. Identifica a linha tênue entre a fé e o fanatismo e como os livros são vistos como objetos de poder – o conhecimento que liberta. E por isso mesmo são perigosos e devem ter o seu acesso limitado. Será que evoluímos realmente o quanto acreditamos?

Em agosto:

Anote na agenda!

Dia 15/8/22, às 20h, participarei de uma entrevista no https://www.youtube.com/c/TellersEscoladeEscrita

Não perca!

Expectativa dos bastidores:

– Finalização da capa e do projeto gráfico do segundo volume da trilogia: “Cores das Chamas e da Escuridão”.

– Início da escrita da primeira versão do original do terceiro volume.

Você me acompanha nessa viagem fantástica?

https://livro.editoramadreperola.com/as-cores-de-sophia

Até a próxima News!

Com carinho.

Juliana Lino.

A trajetória de Sophia

Sophia apareceu pronta no meu imaginário, em um momento em que escrever um livro nem me passava pela cabeça. Eu estava presa no trânsito, na Avenida Rebouças em São Paulo, desesperada para conseguir chegar no horário para atender os pacientes do consultório. Mas eu não tinha para onde ir: os carros não saiam do lugar. Então minha mente divagava, ela sim, livre.

Assim, a ideia surgiu: e se existisse uma garota que conseguisse enxergar cores nas pupilas das pessoas? Seu nome seria Sophia. Mas o que significariam essas cores? O que aconteceria com ela?

O trânsito andou antes que eu percebesse que criava uma personagem. A ideia foi guardada em algum lugar do meu inconsciente, e a vida seguiu. Porém, em todos os outros momentos aprisionada na mesma situação, ela voltava. Sophia ia ficando cada vez mais nítida: seu rosto, o cabelo, o porte físico. Aos poucos visualizava sua personalidade, sua moral, gostos, medos. Ela se transformava em uma pessoa quase real. Mas eu ainda não entendia o que eu deveria fazer com ela.

Um tempo depois, atravessei um período de vida delicado, e precisei me agarrar em algo para não afundar. Pensei: vou escrever um livro. E Sophia me invadiu imediatamente. Até então, eu era apenas uma leitora. Nunca tinha estudado sobre escrita criativa, ou técnicas de criação de romance. Mas eu precisava de uma fuga. E ninguém nunca iria ler. Certo?

Então, liguei o computador, olhei para a página em branco, e entendi que a Sophia era a minha protagonista. Ok. Mas qual era a sua história? Eu não tinha a mínima ideia. Resolvi que apenas a deixaria viver, fluir para as páginas, e ver o que acontecia.

Para a minha surpresa, a história surgiu. Sem nenhum planejamento prévio, sem ter a mínima noção sobre o enredo, sem programar os outros personagens, o conflito, o final… Meu primeiro romance nasceu em 4 meses, com mais de 500 páginas.

Isso aconteceu em 2014. Quando terminei, o que eu já sabia que seria o primeiro volume de uma trilogia, eu virei mãe. O foco da minha vida mudou completamente, e Sophia foi engavetada e esquecida.

Chegamos em 2020, no auge da pandemia, quando tudo era incerto e amedrontador. Eu precisava continuar trabalhando, cuidando dos pacientes, me expondo ao risco de me contaminar e levar o vírus para casa. O estresse era massacrante e não tínhamos a menor ideia de quanto tempo iria durar. Comecei a sentir a mesma necessidade de fuga, que experimentei em 2014. Então, me lembrei da Sophia.

Achei o computador velho, enterrado no baú embaixo da cama. Ele ainda ligava! Encontrei o original. Reli. Salvei na nuvem. Encarei a tela: eu tenho um livro inteiro escrito. E se alguém quisesse ler? Preciso fazer algo com ele.

Os cursos de escrita criativa me ajudaram a não enlouquecer nesse período tão crítico para toda a humanidade. Li livros técnicos, conheci professores e outros autores. Entendi que precisava revisar e cortar. Como doeu cortar passagens da minha história: ao todo, foram 150 páginas. Trabalhei por mais quatro meses e cheguei na melhor versão que conseguiria sozinha. Precisava agora de um olhar profissional.

Navegando por esse novo mundo literário, conheci o Sandro Bier do canal “Café do escritor”. Um editor dedicado à publicação de autores independentes e que oferecia o serviço de leitura crítica. Mandei o meu original para ele.

Fiquei surpresa com a qualidade da sua avaliação, e ele, com o que encontrou:

Decidimos então publicar o livro pelo selo editorial “Página Nova”, a prestadora de serviço que ele fundou para tornar alcançável o sonho da publicação para inúmeros escritores. Assim surgia a trilogia “As cores de Sophia”, com o seu primeiro volume, “Cores de Vida e de Morte”.

O livro ficou disponível na versão física e digital, e para a minha surpresa, foi um sucesso!

A história conquistou inúmeros leitores, ganhando resenhas, feedbacks, avaliações na Amazon, entrevistas televisivas e na mídia impressa. Isso era o sucesso que almejava: leitores! Era tudo o que eu desejava – pessoas que me dessem a oportunidade de ser lida, de deixar a Sophia viver. Não sonhava com flashes, autógrafos, fama, prêmios, Academia Brasileira de Letras. Eu só queira ser lida.

Descobri que para isso, além de escrever, era necessário divulgar. Tive que aprender sobre marketing e me debruçar sobre as redes sociais, trabalhando com os recursos que eu tinha.

O universo conspirou ao meu favor: fez minha história chegar até uma leitora especial, a Cris Veríssimo, que se apaixonou pelo meu universo. Como profissional do marketing, especialista em escritores, me ajudou a impulsionar a Sophia para além dos meus escassos conhecimentos na área.

E aí, veio a minha primeira premiação: “Cores de Vida e de Morte” foi eleito pelo júri e pelo público o melhor suspense de 2021 pelo Prêmio Book Brasil! Algo que nunca, jamais, em momento algum eu havia pensado. Nem em 2014, quando eu nem sabia escrever um romance, nem depois de tê-lo publicado.

Pouco tempo depois, o Rafael Silvaro, editor da Madrepérola, me convidou para publicar a trilogia inteira da Sophia, de maneira tradicional, pela sua editora. E isso, foi uma conquista muito além do que eu havia imaginado, pois quando decidi publicar a história, nem me passou pela cabeça fazer isso por uma publicação tradicional. Eu não queria esperar meses no silêncio para entender que alguma editora não tinha aprovado, ou pelo menos, lido o meu original. Sabia que existiam muitos autores mais conhecidos para que elas investissem seus recursos. Sempre fui muito realista quanto essa expectativa.

Contudo, o Rafael enxergou o meu trabalho no meio dessa multidão. Gostou, e acreditou nele.

Então, relançamos “Cores de Vida e de Morte” na Bienal de São Paulo, de 2022. O livro ficou impecável! E já temos uma linha editorial para compor a trilogia toda.

O volume dois, “Cores das Chamas e da Escuridão”, já está finalizado, e passa pelos processos finais de edição. Tem o lançamento previsto para o segundo semestre de 20022. A minha maior satisfação é ver a expectativa dos leitores, para a tão aguardada continuação da história. Fato que eu nunca imaginaria, quando aquela garota que enxergava cores ganhou a minha imaginação no meio do trânsito da Avenida Rebouças.

E para os mais curiosos: estou iniciando a escrita do volume três. Para finalizar com chave de ouro essa trilogia fantástica.

Se você ainda não conhece, fica aqui o convite para mergulhar na história fantástica de “As Cores de Sophia”. Tenho certeza de que nunca mais enxergará a realidade da mesma maneira.

É só clicar no link abaixo e deixar o meu universo se misturar ao seu! https://livro.editoramadreperola.com/as-cores-de-sophia

“Escrever um livro é aceitar o desafio de controlar o transbordar da mente, é transformar a represa em rio, cuja forma e sentido irão depender de quem beber da sua água.”

Jorge Luís Marujo

O renascimento da escrita

Quem acompanha a jornada da minha escrita aqui no blog, viu no meu texto “Sementinha de escritora” o surgimento dessa vocação na infância. Lá compartilhei as fotos dos meus primeiros romances escritos, ilustrados e editados pelo meu eu de seis anos. E também um texto muito especial de quando arrisquei me embrenhar pela poesia na pré-adolescência.

No texto “A essência do escritor” mostrei como o período em que a escrita ficou adormecida foi essencial para o desenvolvimento da minha identidade como escritora. Pois foi durante esses anos que me tornei efetivamente uma leitora e tive contato com as obras que me influenciaram e inspiraram.

Agora chegou o momento de mostrar como a escrita foi despertada novamente. Como ela emergiu das profundezas do meu inconsciente e voltou a fazer parte da minha identidade.

Reencontro com a escrita

Em 2009 me mudei para São Paulo. Dispensando apresentações, mesmo quem não conhece já deve ter ouvido falar das proporções monstruosas da maior cidade do país, e uma das maiores do mundo. Também não é segredo que a vida na capital é uma loucura, a correria é infinita e o trânsito é eterno.

E provavelmente foi no trânsito em que passei grande parte das horas da minha existência durante os 10 anos que residi na cidade. Além de torturante e angustiante, essas horas infinitas paradas no lugar eram muito tediosas. Não havia música ou programa de rádio que desse conta. Porém, mal sabia eu que o tédio é o maior combustível para a criatividade. O ócio criativo. Já ouviu falar?

Acredito que só sobrevivi a esses momentos sem enlouquecer graças a minha imaginação que ganhava asas e viajava para os lugares e ocasiões mais inusitadas. Lembrava de situações vividas, achava soluções para problemas e imaginava cenas e histórias que gostaria de experimentar.

E foi quando surgiu a minha personagem. Um dia, presa em uma fila enorme de carros, sob a chuva do fim de tarde, ela simplesmente brotou na minha mente. E se existisse uma garota capaz disso, isso e isso? O que será que aconteceria? Mas o trânsito andou, a ideia se dispersou, e a vida seguiu.

Em várias ocasiões engarrafadas, a personagem voltava a me visitar. Aos poucos fui visualizando como ela seria fisicamente, quais seriam seus princípios, seus gostos. E ela foi ganhando forma. Eu não tinha uma história em mente, apenas alguém diferente que queria implantar nesse mundo e ver o que poderia acontecer.

No final de 2013 tomei uma decisão que mudaria para sempre a minha vida: eu queria ser mãe. E essa passou a ser minha maior meta, meu mais profundo desejo. Uma verdadeira necessidade. Então, 2014 foi um ano regido por calendários menstruais, testes de farmácia e tentativas frustradas.

O ano avançava e o positivo não acontecia. Então, comecei a me deprimir. No início tentava encarar com naturalidade e me convencer de que tudo estava dentro da normalidade. Mas depois do sexto mês comecei a ficar realmente preocupada.

A frustração tomou conta dos meus dias, as cores se apagaram e me vi sem nenhum outro objetivo de vida. Sem um filho, nada mais faria sentido. Para quê construir alguma coisa se não existisse alguém para recebê-la?

E foi em um dos dias mais angustiantes desse processo que um lampejo de sobriedade acertou a minha mente: eu precisava de algum outro objetivo. Não podia me afundar dessa maneira por uma situação que estava completamente fora do meu controle. Que não dependia de mim. E foi numa madrugada, entre lágrimas com sabor de derrota, que decidi: vou escrever um livro!

Imediatamente minha personagem apareceu em minha mente, e no dia seguinte, liguei o computador e escrevi. Escrevi, escrevi e escrevi. Sem planejamento, sem estudo prévio. Simplesmente despejei uma história que estava engasgada dentro de mim e precisava ser contada (e que não tinha nenhuma relação com o momento que estava passando).

Depois de algumas semanas, e muitas páginas, comecei a sentir a necessidade de mostrar para alguém. Precisava que alguém lesse, opinasse, dividisse aquilo comigo. Com muita insegurança e timidez, conversei com quatro amigas e confessei o que estava fazendo. Eram pessoas com gostos literários bem variados, uma inclusive nem era leitora. Mas todas toparam na hora ler o que eu tinha escrito.

Comecei a mandar os capítulos conforme ia finalizando-os. E para minha surpresa, elas adoraram! Discutiam a história entre si, pediam spoilers, me cobravam quando eu demorava para mandar mais páginas. Eu sei que a opinião de amigas é suspeita, mas elas foram todo o incentivo que eu precisava.

Então eu mergulhei de cabeça nesse novo projeto. As personagens ganharam vida própria bem na minha frente e iam conduzindo o curso da história sozinhas. As cenas mais importantes apareciam quando eu escrevia, sem planejamento prévio. Até eu me surpreendia.

E quanto escrevia, parecia sair de mim. Não estava mais digitando na frente do computador. Era transportada para dentro da minha própria história. Me sentia leve, em êxtase. Foi libertador!

Ao final de quatro meses eu tinha um romance de mais de 400 páginas em mãos, um clube de leitoras, e uma satisfação que jamais tinha experimentado na vida! Algo adormecido fora despertado com todas as forças e não seria contido novamente.

Ah! Adivinhem o que aconteceu quando terminei de escrever o livro? Eu engravidei!

“Não há agonia pior que carregar uma história não contada dentro de você.”

Maya Angelou

A essência do escritor

O escritor constrói sua essência ao longo de uma vida. Soma experiências, vivências, gostos, aprendizados, e aos poucos vai construindo os tijolos de seu estilo e de suas histórias que um dia, poderá ou não, colocar no papel. Comigo não foi diferente. Tudo o que vivi e presenciei somaram os pedacinhos que me tornaram o que sou hoje e deram vida às histórias que carrego dentro de mim.

No meu texto “Sementinha de escritora” eu dividi com vocês meus primeiros contatos com a escrita na infância. Mostrei alguns dos meus romances infantis e compartilhei um dos poemas da minha pré-adolescência. Depois dessa fase, o ato de escrever passou por um período ausente na minha vida. Mas as histórias sempre se fizeram presentes. E é sobre isso que eu gostaria de contar.

Escritor em gestação

Penso nesse período da minha vida como um período de gestação em relação à escrita. Eu nem se quer pensava nela. Nunca imaginei que existia uma escritora adormecida dentro de mim. Mas esses anos foram extremamente importantes para criar a minha identidade como tal. Pois foi o momento em que mais absorvi os estímulos e exemplos e os fiquei maturando dentro de mim. Foi quando me tornei efetivamente uma leitora.

Li muitos autores maravilhosos ao longo da minha vida: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Mário de Andrade, Drummond, Dostoievski, Kafka, Gabriel Garcia Marques, entre outros. Todos verdadeiros artistas das palavras, que não escreviam, mas sim desenhavam, pintavam histórias em forma de texto.

Apesar de admirá-los e aprender muito com essas leituras, não foi exatamente aí que encontrei a minha essência.

Desde muito pequena, eu já tinha claro o que prendia a minha atenção e me fazia preferir uma história a outra. E esse gosto só foi sendo lapidado a medida em que crescia e escolhia minhas próprias leituras.

As primeiras coleções de livros que lembro que devorei foram a “Coleção vagalume” (vários autores) e a “Os Karas” de Pedro Bandeira. Marcaram muitos o início da minha adolescência e minha vida de leitora. Foi fácil perceber do que eu gostava: mistério. Para uma história me prender, tinha que existir algum mistério.

Devorava qualquer tipo de mistério: suspense, fantástico, terror, policial. E acabei me apaixonando pois estava me encontrando no meio daquelas histórias.

Estava no cursinho pré-vestibular quando li o primeiro livro que realmente me deu medo: “Saco de ossos” de Stephen King. Adorei a sensação de sentir o mesmo frio na barriga que alguns filmes conseguiam provocar, mas vindo pela deliciosa viagem de um livro! A partir daí não parei mais.

Depois desse, foram muitos livros, de muitos autores, que me alimentaram de mistérios, dos mais diferentes tipos. Foram aí que algumas histórias começaram a nascer e se desenvolver. Foram eles que me mostraram a minha essência e a minha identidade como escritora.

Foram esses livros os responsáveis pela fase de gestação, para que no momento certo, as histórias nascessem de dentro de mim. Afinal, sem leitura, não existe escrita.

Divido com vocês alguns dos títulos que me influenciaram e me inspiraram. Que trilharam o caminho para que eu escrevesse as minhas próprias histórias.

” Não há, em literatura, uma fórmula mágica: bons escritores, são sempre, bons leitores.”

Robertison Frizero

” Se você não tempo de ler, você não terá tempo (ou as ferramentas) para escrever. Simples assim.”

Stephen King

Sementinha de escritora.

Muitas pessoas me perguntam quando foi que resolvi virar escritora. Acho que a pergunta mais correta seria: quando foi que percebi que era uma escritora?

Será que a vocação é algo nato ou pode ser estimulada e desenvolvida? Será que os grandes artistas foram abençoados com algum dom além da capacidade da população em geral? E cabe apenas a eles a produção de feitos memoráveis que serão deixados de legado para a humanidade?

Acredito que sim. Algumas pessoas tem esse algo a mais de fábrica. Conseguem enxergar além do seu tempo, compreendem a essência humana, absorvem as entrelinhas da realidade, e depois transformam tudo isso em arte. Muitos são inigualáveis.

Mas apenas eles seriam capazes de nos tocar? Será que a simples existência de um amor especial pela escrita, também não poderia ser chamado de vocação? E não poderia essa vocação ser trabalhada, desenvolvida, e trazer também uma produção que agregasse valores, emoções, prazeres, inspirações nas pessoas?

Minha criança escritora.

Toda criança tem a imaginação muito fértil. Um terreno mágico, onde tudo pode acontecer. Quando bem explorado, e se as sementes certas forem plantadas, a colheita nos presenteará com os frutos mais magníficos!

Fui uma criança normal: fantasiosa, curiosa, sonhadora. Tive a sorte de crescer em um uma família equilibrada e amorosa. Tive mais sorte ainda, por ter uma mãe que lia para mim desde muito cedo e nunca deixou de incentivar os meus delírios infantis.

Eu sempre mergulhava nas histórias. Dos livros, dos desenhos animados, dos filmes. Me imaginava dentro delas. Criava cenários, personagens, tramas. Levava os amigos para esse meu universo e passávamos horas vivendo no nosso mundo de fantasia. E no final do dia, lá estava eu esperando minha mãe ler mais um livro que alimentaria as brincadeiras do dia seguinte.

Não era raro, eu parasitava meu tio:

– Tio, me conta uma aventura!

E ele improvisava enredos mirabolantes, que me deixavam com o olhar fixo e a cabeça nas nuvens. Mas nunca me dava por satisfeita. Mal ele terminava, e eu já queria outra história. Até que um dia ele me desafiou:

– Por que você não escreve suas próprias histórias?

Eu tinha 6 anos quando comecei a “escrever”. Meus primeiros romances eram feitos de sulfites dobradas, presas por fitinhas. Neles eu desenhava a história e minha mãe as escrevia para mim.  Os produzi durante a infância inteira!

Na pré-adolescência, arrisquei a poesia. Fiz um caderno de poemas, e escrevia sobre qualquer coisa que me vinha à mente: amizade, livros, plantas, prefeitura, meu desenho animado favorito. Quando o Ayrton Senna morreu tragicamente, fiz um poema para ele também. Esse foi muito elogiado pela minha professora da época, que o leu para a escola inteira durante as homenagens que fizemos. Acho que esse foi o meu maior público leitor até hoje.

Depois, vieram outras questões mais urgentes trazidas por essa fase da vida, e a escrita foi deixada meio de lado. Mas ainda lembro, no último ano do colegial, um exercício de redação narrativa, onde tínhamos que escrever um texto que usasse como personagens a chapeuzinho vermelho e o lobo mau. Criei uma história sobre uma jovem que usava um longo vermelho em uma festa e era assediada por um homem bem mais velho. O título era: “A idade do lobo”.

Minha professora de Português, Rose, ficou comigo na hora do intervalo, corrigindo a redação individualmente. Nunca esqueci seu veredito:

– Você está à beira de fazer um texto excelente!

Como eu queria receber um elogio desse novamente! Ainda mais vindo de alguém com a bagagem dela.

A vida seguiu. Vestibular, faculdade, residência médica (duas), casamento, filhos. Até que uma hora o comichão da escrita acorda novamente, e mais cedo ou mais tarde, nos lembra da nossa essência, e as histórias começam a fluir mais uma vez.

Compartilho com vocês, algumas fotos desse meu acervo pessoal. Publico na íntegra meu primeiro Best-seller: “A janelinha feliz”, escrito quando perdi meu primeiro dentinho e lido pela família toda. E, também, o meu poema inédito em homenagem ao Ayrton Senna. Uma pena eu não ter ficado com o texto “A idade do lobo”, mas ainda vou tentar reproduzi-lo.

Ayrton Senna

Foi um grande piloto,
corria bem na chuva.
Mas sua carreira acabou
bem numa curva.

Sempre foi e será
um grande campeão.
É o melhor de todos,
não tem nem comparação.

Foi um grande campeão
nunca iremos esquecer.
Sua vida de amizades,
ele fez por merecer.

” Se a criança não aprende desde a escola a criar, ela saberá apenas imitar durante toda a vida.”

Leon Tolstói

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